Uma experiência prática de cidadania territorial no Ciclo Formativo em Ciência Cidadã: Promoção de Vidas Ativas

junho 30, 2026 | por cidadeativa

Como a produção do território interfere na vivência social?

De que forma podemos aproximar educação, participação cidadã e produção de dados sobre os lugares que habitamos? Essas foram algumas das perguntas que orientaram a oficina realizada no Sesc CPF, em 18 de junho de 2026, como parte do Ciclo Formativo em Ciência Cidadã: Promoção de Vidas Ativas, promovido por REMS, CELAFISCS, Cidade Ativa, Corrida Amiga, Prodhe, SBAFS e Sesc.

A atividade foi conduzida por Kaue Oliveira, cientista social e mestrando em Educação, e por Mariana Wandarti Clemente, coordenadora de projetos na Cidade Ativa. O encontro reuniu participantes interessados em explorar novas formas de compreender e atuar sobre os territórios a partir da produção colaborativa de dados e conhecimento.

A oficina começou com uma conversa sobre a relação entre educação e território, entendendo o território como uma construção social atravessada por relações, disputas, oportunidades e desigualdades. A partir de referências como Milton Santos,  Pierre Bourdieu e Bernard Charlot, discutimos como os processos educativos se conectam diretamente à formação cidadã e à maneira como nos relacionamos com os espaços onde vivemos.

Nesse contexto, apresentamos o Mapi, um sistema de mapeamento comunitário para escolas que busca fortalecer a leitura crítica dos territórios por meio da integração entre dados oficiais, produção colaborativa de informações e práticas pedagógicas. Foram apresentados seus principais componentes, com destaque para os eixos temáticos — Mobilidade Urbana, Emergências Climáticas e Ambientes Alimentares —, além das trilhas pedagógicas e dos verbos geradores que orientam as atividades: provocar, mapear e agir. O Mapi é desenvolvido pelo Centro de Estudos da Metrópole, em parceria com a GeoReDUS e Cidade Ativa e apoio da USP e Fapesp.

Em seguida, participantes foram convidados a vivenciar a metodologia na prática. Divididos por eixos temáticos, os grupos exploraram o entorno do Sesc, observando, registrando e analisando diferentes aspectos do território. Durante a saída de campo, foram exploradas e analisadas questões sobre circulação de pedestres, infraestrutura urbana, oferta de alimentos e vulnerabilidades relacionadas às mudanças climáticas. A proposta foi exercitar um olhar investigativo sobre o espaço urbano e perceber as camadas de história e dinâmica presentes no cotidiano.

De volta à sala, os grupos compartilharam suas observações e construíram uma síntese coletiva dos principais achados. Esses dados foram inseridos ao vivo no sistema Mapi, permitindo visualizar como informações produzidas pelos participantes podem dialogar com bases oficiais, complementar lacunas e enriquecer a leitura do território.

Ao longo das discussões, ficou evidente como os temas se atravessam: questões de mobilidade se conectaram a aspectos climáticos; a alimentação dialogou com infraestrutura urbana; e diferentes percepções passaram a compor uma visão mais integrada do espaço analisado.

A experiência dialoga diretamente com o papel ativo das pessoas na produção de conhecimento sobre os lugares onde vivem. Ao observar, registrar, interpretar e compartilhar informações, participantes contribuíram para a construção de dados territorializados e para o fortalecimento de formas de participação social.

A oficina também reafirma o território como espaço de aprendizagem. Quando educadores, estudantes e comunidades são convidados a olhar criticamente para seu entorno, surgem possibilidades de compreender desafios locais e imaginar caminhos de transformação.